Eu cresci com o pensamento em que existiam "coisas de menina" e "coisas de menino". Quando era pequena, ouvia que meninas tinham que usar rosa e meninos tinham que usar azul, ouvia que meninas tinham que brincar de casinha e meninos podiam brincar de luta e qualquer criança que "desafiasse" a ordem, sendo diferente, era julgada e um motivo de brincadeiras, e alvo de olhares tortos.
Alguns anos mais tarde, comecei a perceber que qualquer garota que fosse considerada "masculina", ou seja, que não usasse as roupas adequadas e não gostasse de "coisas de menina", era alvo de comentários preconceituosos.
Tempos depois, quando já estava na idade em que a maioria das meninas usava sutiã e queria usar maquiagem, vi que as meninas, para serem aceitas, precisavam se enquadrar em um molde imposto pela sociedade e caso elas não se esquadrassem nesse molde, elas sofreriam bullying e não arranjariam um namorado. Para se encaixar no molde, elas teriam que ser delicadas, magras, bonitas e educadas, caso contrário, era consideradas masculinas demais.
Hoje tenho amigas que assistem futebol e isso não as torna "menos feminina", amigas que usam moletom e roupas largas, que não usam maquiagem e que falam tanto palavrão quanto qualquer homem, mas que não deixam de ser delicadas e sensíveis.
Então eu lhe pergunto: O que define a feminilidade de uma mulher? .Serão as roupas? Os modos? A maquiagem? A forma como ela se senta? O corte de cabelo?
Não existem mulheres "femininas". Existem mulheres reais.
A mulher real, não é aquela que acorda com os cabelos penteados, de bom humor ou que está sempre com roupas bonitas. A mulher real, é aquela que acorda de manhã com o cabelo bagunçado, com cara de sono e as marcas do travesseiro no rosto, e não se envergonha disso. É aquela que usa roupas folgadas e não está sempre maquiada. É aquela que xinga, que grita, que chora, que chama e se desespera.
A mulher real, não age como princesa o tempo todo porque sabe que não precisa. A mulher real não tem vergonha de ser ela mesma, não tem vergonha de dizer que assiste futebol ou que faz coisas que alguns consideram "coisa de homem".
A mulher real não tem vergonha de dizer do que gosta, não tem vergonha de sair na rua com roupas velhas, não acha feio que não esteja sempre arrumada como uma boneca pois sabe que mulheres não nasceram para serem bonecas de exposição.
A mulher real vai a luta, trabalha e sabe que somente com seu esforço vai quebrar o pensamento machista na sociedade. A mulher real mesmo sendo tudo isso, é apenas uma mulher, é a mulher comum, aquela que sai para trabalhar todos os dias e que não se intimida de ante das dificuldades do dia-a-dia.